Dia de clássico aqui no Rio Grande do Sul é especial. Colorados e gremistas acordam cedo, fazem um churrasco dos mais baguais, vestem seus mantos e encerram as últimas apostas logo antes de se dirigir a um dos templos do futebol Porto Alegrense. Hoje não poderia ser diferente. GreNal no Beira Rio, o primeiro após a reforma, logo na peleia que marcaria o retorno do Felipão ao comando do Grêmio. Não poderia ser mais emblemático, considerando ainda que era dia dos pais e o primeiro clássico em que troquei a televisão pelo estádio, afinal agora moro em Porto Alegre e não seria justo me privar dessa experiência.
Apesar de ter ido a todos os jogos do Inter no Gigante desde que a reinauguração foi feita, ao pisar no bloco 113 e visualizar o tradicional escudo do time que é colocado atrás da goleira do setor sul, eu quase chorei. Cheguei cedo, chovia muito e não havia quase ninguém nas dependências do clube ainda, considerando o público total. Dirigi-me ao local onde habitualmente assisto aos jogos, pouco abaixo da banda da Popular, e sentei. Foi como se um filme se passasse na minha cabeça, enquanto os alto falantes entoavam a saudosa música “Papai é o maior” eu pensava em todos os GreNais que vi ao longo dos meus 19 anos de vida, fiquei com medo, apesar de estar absurdamente confiante, porque temi que o time entrasse em campo confiante demais também. Senti uma dor horrível na cabeça, quase insuportável, pensei em trocar de lugar para não ficar tão perto da banda e evitar uma dor maior ainda. Ao invés disso, subi. Coloquei na cabeça que se eu estava ali, em um GreNal, depois de tantos anos sonhando com isso, eu deveria fazer o que sempre faço: esquecer o universo, cantar com todo o amor que tenho pelo vermelho e branco do meu Inter as músicas da popular, pular e torcer, torcer mais do que nunca, porque eu jamais aceitaria que a minha primeira vez em um clássico tivesse qualquer resultado que não fosse uma vitória.
Quando o jogo estava prestes a iniciar me vi em um espaço superlotado de apaixonados, bem no meio da banda, com uma murga imediatamente ao meu lado. A dor sumiu gradativamente conforme o estádio enchia, lembro-me de ter achado graça da situação e passado a encará-la como um aviso, eu sentia o aroma de vitória aumentar a cada segundo que passava, mas no apito inicial, assumo, eu tremi, e só fui me tranquilizar aos 16 do segundo tempo, quando eu agarrei a minha manta da sorte, beijei o escudo do Inter em um momento que, se lembro bem, Alex estava com a bola, fechei os olhos por um segundo, sem baixar a voz em nenhum momento, quando abri, gol do nosso Príncipe Charles, como diria um Chileno que conheci durante a Copa. Êxtase maior não há. A torcida explodiu ao meu redor, mais do que em qualquer outro jogo que já presenciei na nossa casa, entoando cada vez mais alto as tradicionais canções da torcida do Portão 7.
Foi nesse momento que eu entendi tudo o que um GreNal significa. Foi nessa hora, depois de um gol de cabeça marcado aos 16 do segundo tempo em um domingo chuvoso, que eu consegui finalmente compreender esse amor descontrolado que cada colorado carrega em seu peito, em especial os fortes remanescentes de épocas inglórias dos planteis vermelhos. Agora, deitada debaixo de uma coberta do Internacional, com a manta da sorte recostada ao lado do meu travesseiro, eu só consigo pensar nos dois gols marcados na partida, por dois jogadores cujos nomes iniciam com a letra C de colorado e de campeão, Charles Áranguiz e Cláudio Winck, que certamente farão parte de uma ótima memória, afinal, foi o meu primeiro clássico de azuis contra vermelhos e, como dizem por aí, o primeiro a gente nunca esquece, né?! Fora isso, tudo normal, o Inter venceu mais um GreNal.






0 comentários:
Postar um comentário